Pateta alegre

Não sou propriamente uma pessoa que ande por aí a sorrir por tudo e por nada. Se fosse alvo de paparazzi, duvido que me capturassem sequer uma ou duas frames com os incisivos a descoberto, e desconfio mesmo que não há qualquer gravação de câmara de vigilância em que me salte um canino ou que se me luzam os pré-molares. Ou seja, apesar de não andar necessariamente de semblante carregado, trago comigo, emaranhada no quotidiano, a chamada cara-d'enjoado-ao-calhas.
Vem ao caso o meu tormento de escola jesuíta. Inexplicavelmente, tenho uma incontrolável vontade de gargalhar nos sítios e situações mais despropositados, ou melhor, nas circunstâncias em que é pura e simplesmente inapropriado - e lamentável - rir. Mais: onde nem uma agulha deve bulir ou uma pestana se pode ouvir.
Ele é nas aulas, numa prova oral; na missa, naquela parte em que o padre saboreia a hóstia e sorve repenicado o alicante bouschet; no tribunal, na leitura da sentença; na tomada de posse, ante o discurso; no velório, perante a urna. Nos recitais de piano. Nas declamações. Nos minutos de silêncio.
Em quaisquer destas e doutras situações, não raras as vezes, começo por contrair inusitadas convulsões faciais, soluçar abafadas expirações nasais, contrair o diafragma e suar as estopinhas até cerrar os olhos. E é aí que, de supetão, alcanço o esplendor e me fendo no mais farfalhento dos risos à Mutley.
Vou deixar de fumar.
JoãoG
8 Comments:
A infantilidade é um posto e não se envelhece pateta: apenas se sobe na hierarquia.
:)))
(sorry, sorry, sorry... resisto a tudo menos às tentações, mumbly dear)
Ainda há pouco, na TV, um senhor rubicundo e com um capacete na cabeça, que o repórter me disse ser o nosso ministro das obras públicas, vociferava contra o público "habituado" a promessas não cumpridas. Portanto, e desta vez, ele (ministro) queria que quando se chegar a Dezembro de 2007 possamos todos dizer em uníssono: Prometeram que acabavam as obras do metro do Terreiro do Paço até Dezembro e cumpriram.
Eu reconheço que esta situação não é bem como as que descreveu, leia-se podemos partir-nos a rir à vontade... mas o drama é semelhante, desatarmos a rir e verificarmos que estamos a rir sozinhos, quase que estive para acordar o resto da casa. Mas achei uma violência e limitei-me a sorrir...
Prima (ena, ena!),
Já o adultério não é nenhum posto, porquanto muito bem reaparecida: comece por mostrar a sua extrema fidelidade postando consecutivamente por aqui, ó sua desnaturada! :)
Espumante,
Pois... também me ocorre rir de coisas tristes, sozinho ou acompanhado; só que certas tristezas são tão constrangedoras para quem as vê que o melhor mesmo é fazer zapping...
Abraço
Gostei das tuas referências a dentes.
Jaime
www.blog.jaimegaspar.com
Estudante de Matemática ou de Estomatologia...? :)
Lê no meu blog o último BOOM da Internet!
E se tiveres de acordo, associa-te a ele.
Fica bem!
Regressei após um longo período sabático. Faça o favor de vir à minha "casinha" fazer-me uma visita que a sua presença é sempre bué de agradável.
Aquele @bração do
Zecatelhado
Então amigos? Calaram-se? Pouca disposição para a treta ou já não enganam ninguém?
Enviar um comentário
<< Home